Inspire-se!

Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente, você estará fazendo o impossível.

São Francisco de Assis

.........................................................................................................

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Ave Migratória

 




Pare!
Não venha até mim
Com seus lábios manchados
Do vermelho encarnado
Do batom das suas vaidosas mentiras.
Eu não vou
De maneira nenhuma
Lambuzar-me no batom desses teus lábios.
Olhe!
Minhas asas abertas para o vento.
Durante todo inverno
Estarei migrando para o calor de outros braços
Onde meu peito descongele
Aqueça e esqueça
Do vermelho encarnado dos teus lábios
Da frigidez atroz dos teus olhos
Do cruel cheiro da tua pele.
Pare e olhe...
Enquanto alço voos distantes
Enquanto mergulho em outro mar
Mar de amor
Mar azul
Mar de amar
Migrando para outros lábios
Outros olhos
Noutra pele.

domingo, 26 de junho de 2016

Dança dos Dias


Então você tenta
Destranca a porta e
Convida à sua vida.
Oferece uma água
Um café
Um cafuné.
Refaz planos, enganos
Não tranca a porta
Pois carcereiro não és.
Mas pássaro livre voa
Voa pra longe se não for cativo
Pra longe se não fores tu abrigo
Da chuva invernal
Da brisa gélida do outono
Da dança solar
Da disputa primaveril.
Então você tranca a porta
Mais uma vez
Mais duas ou até três
Eis que batem à porta
“Doces ou travessuras”
Venha travesso
Venha doce
Venha meio amargo
Só não venha azedo.
Ah! Doce cheiro da manhã
Puxe uma cadeira
Sente-se
Aceita um café?

sábado, 30 de abril de 2016

Latomia



Destas cicatrizes profundas
Marcas do passado arredio
Querias esquecer
Tolice vã e ferina.
A abstrair-se das loucuras explícitas
Da morte, da vida, da viva morte
Que encurta a já tão curta jornada
Pura tortura dos que não sabem
Ser loucos na sanidade.
Um breve toque e se contrai
Não são cicatrizes
É uma pena ainda serem feridas latentes
Que sangram ao menor toque.
Essas marcas do passado
Que no presente
De grego por certo
Segregam dor e alívio
Feridas de morte, de mente
De carinho, de amante
Feridas distantes perseguindo o momento
Marcadas a ferro, a fogo, a jogo
Destas cicatrizes profundas
Marcas do passado arredio
Tu me resgatas e me afundas.
Tolice vã e ferina.


  ANDRADE, Uanderson. Latomia. 2016.
Algumas das imagens contidas nesse blog foram retiradas da Web. Se acaso alguma fotografia lhe pertença entre em contato e ela será removida ou receberá os devidos créditos (fica a critério do autor da imagem).


© gdeinspiracao.blogspot.com. Todos os direitos reservados. A cópia ou reprodução parcial ou total não-autorizada de qualquer obra contida nesse Blog está estritamente proíbida.

Plágio é crime!